Nem tudo que parece é… desconstruindo o mito da felicidade

Em tempos de um mundo extremamente tecnológico e conectado, a “felicidade” aparece estampada nas fotos publicadas em mídias sociais e parece representar um padrão inatingível (seja individual, conjugal, profissional ou de ciclos de amizade). Cada vez mais as publicações parecem representar um molde de bem-estar e felicidade, construindo um ideal a ser almejado e os reality shows e as celebridades do momento mostram que o importante é ser bem-sucedido e estar feliz consigo mesmo. É como se recebêssemos “uma mensagem subliminar por todos os lugares dizendo que uma vida comum é uma vida sem sentido” (Brown, 2013, pág 20). Porém, quando saímos do mundo das curtidas e visualizações, nos deparamos com um choque de realidade para quem está vivendo no “mundo real”.

Do outro lado da tela o que encontramos são seres humanos que experimentam as mais variadas emoções, que vão da alegria intensa à tristeza mais profunda, passando ainda por raiva, medo e muitas outras. Assim, com uma gama tão vasta de emoções nos cabe o questionamento da viabilidade de procurarmos a felicidade como sendo sinônimo de “sentir-se bem”. Afinal, ter prazer/alegria/satisfação fazem parte da vida, mas certamente não serão os únicos integrantes dos nossos dias. E esse é um processo esperado para todas as emoções, pois “se queremos viver uma vida completa, temos que sentir toda a gama de emoções humanas” (Harris, 2011, pág. 19). Mas então, o que poderíamos denominar como felicidade? Aqui cabe a possibilidade de vislumbrá-la como sendo sinônimo de uma vida mais repleta de ações compatíveis ao que buscamos para nós mesmos, mais plena de significados absolutamente individuais e que pode nos trazer a sensação de uma vida congruente com quem efetivamente queremos ser.

Um ponto importante nessa “nova” noção de felicidade é entendê-la como sendo um processo contínuo de construção e prática. Ou seja, não é um lugar a se chegar e sim um direcionamento a se exercer. Isso traz uma modificação na forma de lidar não somente com as nossas emoções, como também com nossos pensamentos e na escolha das nossas ações. O que passa a realmente importar é se a forma como estamos levando a nossa vida e fazendo as nossas escolhas estão compatíveis com aquilo que faz sentido para nós.

Como vimos no início, estamos inseridos em uma sociedade com preceitos pré-estabelecidos do que significa felicidade e bem-estar e não viver segundo tal princípio exigirá, portanto, a habilidade de assertividade de contrastar a própria escolha a tal padrão. Certamente não é um processo fácil, mas a principal recompensa se encontra na satisfação de se perceber como sendo “você mesmo”, de estar vivendo segundo os próprios valores e guiando seus passos na direção de uma vida que lhe seja significativa.

Referências Bibliográficas

Harris, R. (2011). Liberte-se: Evitando as armadilhas da procura da felicidade. Rio de Janeiro: Agir

Brown, B. (2013). A coragem de ser imperfeito. Rio de Janeiro: Sextante

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Escrito por Mariana Poubel

Graduada em Psicologia pela UFRJ (2012) e mestre em Saúde Mental pelo IPUB/UFRJ (2015). Fez curso de formação em Terapia Cognitivo Comportamental para adultos e infanto juvenil, curso de capacitação em análise do comportamento e formação em terapias contextuais.
Atua como psicoterapeuta e supervisora (nas modalidades presencial e online).

Email para contato: marianapoubel@gmail.com