O Terapeuta Comportamental e a Empatia no Contexto Clínico

Uma série de pensamentos e sentimentos acontece quando um cliente chega à sua primeira consulta psicológica. Ele percorreu um longo caminho até chegar à decisão de procurar a terapia, marcar a consulta e até o dia do primeiro encontro. Por outro lado, o terapeuta também está envolto em seus pensamentos e sentimentos diante do atendimento a um novo cliente: Por que escolheu a mim diante da oferta de tantos profissionais? Qual foi o motivo que trouxe essa pessoa à terapia?

Não podemos nos esquecer de que naquele dia e hora marcada duas histórias de vida se encontram, duas histórias de reforçamento e punição, contingências extremamente diferentes ou inquietantemente semelhantes. Segundo Banaco (1993), o terapeuta precisa estar atento aos próprios encobertos, e se achar que o que sente é algo muito forte, isso pode significar que algo está errado, e que suas emoções e sua história de vida podem concorrer com o fato de ter comportamentos adequados para seguir o atendimento.

Percebo na minha prática clínica que a despeito do arcabouço teórico do terapeuta, a empatia é um fator muito importante para que esses “mundos” se encontrem e possam estabelecer um processo terapêutico reforçador. Ou seja, o terapeuta deve ser uma audiência não punitiva para o cliente, como já nos falava Skinner (1994). Um caminho para isso é o terapeuta desenvolver em seu repertório pessoal a empatia. A empatia, de acordo com Del Prette e Del Prette (2001), é mesclada de três componentes:

  1. O cognitivo: responsável por compreender a perspectiva e emoções do outro;
  2. O afetivo: que diz respeito a capacidade de vivenciar de forma controlada a emoção do outro (compaixão);
  3. O comportamental: que é a ação, ou seja, se achegar da perspectiva do outro e demonstrar afeição para com os seus sentimentos e emoções.

Isso nos leva a compreender, então, que a empatia é a capacidade de percepção, sensibilização e experienciação para com os sentimentos e emoções positivas e negativas de outros indivíduos (Del Prette e Del Prette, 2001). Portanto considero essa característica fator imprescindível para um processo terapêutico eficaz.

A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), de Kohlenberg e Tsai (1991/2001), compartilha dessas mesmas opiniões a respeito do vínculo e os autores argumentam que a boa relação terapêutica é aquela capaz de simular, na terapia, os problemas do cotidiano do cliente, o que permite lidar com eles em um contexto mais afetivo e reforçador.

Segundo Kolenberg e Tsai (2001) é necessário emergir na clínica o que é chamado de Comportamentos Clinicamente Relevantes (CCR). Para isso ocorrer o cliente deve se sentir acolhido e respeitado em sua demanda. Ninguém se abrirá e nem se manterá em uma relação terapêutica se não se sentir confortável com o terapeuta. Portanto uma relação empática aliada a uma comunicação sincera, propostas pela FAP, são fatores que podem contribuir para uma relação terapêutica empática e eficiente.

REFERÊNCIAS

Banaco, R. A. (1993). O impacto do atendimento sobre a pessoa do terapeuta. Temas em Psicologia, vol. 1 (2), pp. 71-80.

Del Prette, A., e Del Prette, Z. A. P. (2001). Psicologia das relações interpessoais: Vivencias para o trabalho em grupo. Petrópolis: Vozes.

Skinner, B.F. (1994). Ciência e comportamento humano. Traduzido por J.C. Todorov e R. Azzi. São Paulo: Martins Fontes. 9ª ed. (trabalho original publicado em 1953).

Kohlenberg, R.; Tsai, M. (2001). Psicoterapia Analítica Funcional. Santo André: ESETec. Editores Associados.

 

 

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Escrito por Fernanda Cerqueira

Psicóloga Clínica. Mestre em Análise e Evolução do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Especializanda em Terapia Analítico Comportamental pela Unijorge. Psicóloga, formada pela União Metropolitana de Educação e Cultura (Unime) Salvador BA.
E-mail para contato:
nandacerqueira-@hotmail.com