Você é ciumento (a)? Cuidado, pode estar destruindo sua relação.

O ciumento vive em busca de evidencias ou confissões que confirmem suas suspeitas. Por mais negadas ou comprovadamente falsas elas sejam estas evidências, em alguns casos, elas parecem insuficientemente detalhadas ou mesmo falsas para ele, trazendo assim mais confusões e sofrimento para o casal.


O que significa dizer que alguém está com Ciúmes?

Dizer que alguém está com ciúmes é o mesmo que dizer que esta pessoa discrimina um ou mais estímulos como sinalizadores da perda de um reforçador outrora disponível; emitindo assim, respostas coercitivas que tem por função evitar a perda deste reforçador. No caso, o amor, carinho, atenção, proteção, etc., que o parceiro(a) pode oferecer.

Dentre estas respostas coercitivas, destacam-se os interrogatórios – muitas vezes em tons agressivos – onde, por mais que a situação seja explicada, o ciumento pode simplesmente achar que é mentira ou que há algo que não foi dito. Também é muito comum a chantagem emocional. Esta se dá por aquelas ameaças do tipo “se você sair eu vou ficar triste”; ou mesmo implícita, onde a pessoa simplesmente fica “emburrada”, a fim de manter o parceiro(a) em casa. Em alguns casos, os parceiros tem o hábito de verificar as ligações e mensagens no telefone do outro e, dependendo de quem liga, o barraco está armado.

Diante de toda essa pressão – estimulação aversiva –, o parceiro muitas vezes acaba cedendo às chantagens; abrindo completamente a sua privacidade ao ciumento; dizendo frases como “eu amo você, jamais te trocaria”, “não se preocupe, você é único (a), não posso te perder”, etc. Acaba também dando mais atenção e carinho ao ciumento diante de suas crises, ou fazendo outras coisas que,  conforme foi aprendendo ao longo da relação, que fazem com que o ciumento remova a estimulação aversiva – mal sabendo que estas coisas que podem estar na verdade reforçando o comportamento do ciumento. Em outras palavras, a curto prazo remove a estimulação aversiva, pois a acalma o ciumento. A longo prazo, esse tipo de coisa faz com que o ciumento volte a apresentar a mesma conduta mais vezes, já que ele aprendeu que ao fazer isso, vai ter o que tanto teme perder: atenção e carinho de sua parceira.

Outras vezes, o parceiro do ciumento pode aprender a mentir para se esquivar das punições e cobranças excessivas de quem  sente o ciúme. Pode ser que estas mentiras nem sejam para esconder uma traição, mas apenas para evitar entrar em contato com situações nas quais grandes e chatas explicações (tipo aqueles interrogatórios) teriam que ser dadas.

Agora apenas pense, e se quiser, me diga: qual o destino de uma relação na qual isto vai se tornando cada vez mais frequente? 

Cada um acaba aprendendo lidar a sua modo com o ciúme, mas uma coisa é certa: ciume em excesso destrói uma relação. Existem alguns estudos, inclusive, apontando que existe uma tendência maior de ocorrer traições em relações onde existe muito ciúme. Por exemplo, se você fala muito que sua namorada te trai com o João da sala dela, você acaba fazendo com que ela comece de fato a olhar mais para ele. Bom, não sei se estes estudos são confiáveis, mas aqui está o link de uma matéria que fala a respeito. 

Quem quiser ler sobre ciúme patológico, clique aqui.

Um estudo interessante sobre ciúmes é o realizado por Nazaré Costa. Neste estudo, ela busca uma definição operacional do termo. Quem quiser ler, clique aqui.

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Esequias Caetano de Almeida Neto

Escrito por Esequias Caetano de Almeida Neto

Terapeuta Comportamental, com especialização em Clínica Comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (Campinas, SP), com Treinamento Intensivo em Terapia Comportamental Dialética pelo Behavioral Tech | A Linehan Institute Training Company (Seattle, Washington/ EUA) e Formação em Terapia de Aceitação E Compromisso e Terapia Analítica Funcional pelo Instituto Continuum (Londrina, PR). É sócio da Ello: Núcleo de Psicologia e Ciências do Comportamento, onde atende a adultos individualmente, em terapia de casais e terapia de família, além de prover Supervisão Clínica e Treinamento para Terapeutas Comportamentais. É fundador e diretor geral do Portal Comporte-se: Psicologia e Análise do Comportamento (www.comportese.com), onde também coordena a equipe de colunistas de Terapia Comportamental Dialética. Coorganizou os livros Terapia Analítico Comportamental: dos pressupostos teóricos às possibilidades de aplicação (Ed. Esetec, 2012) e Depressão: Psicopatologia e Terapia Analítico Comportamental (Ed. Juruá, 2015). Atua como consultor de Comportamento e Cultura para a Rádio Clube (AM 770) de Patos de Minas e escreve sobre Psicologia e Saúde Mental para o jornal Clube Notícia (https://www.clubenoticia.com.br). É sócio afiliado da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr) e, entre os anos de 2015 e 2017, foi membro da Comissão de Comunicação da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC).